UMA REFLEXÃO PARA A EDUCAÇÃO MOÇAMBICANA:
Importância
Software para a Educação e a sua Relação com a
“A Economia
Política dos Commons”, em Construção.
Pesando nas dificuldades operacionais
de laboratórios tecnológicos educacionais em Moçambique, o Ministério
da Educação (INDE/MINED,
2003, Pp:19-22), remete que é necessário “proporcionar a todo o cidadão o
acesso ao conhecimento científico e o desenvolvimento pleno das suas
capacidades” . Entretanto, desde o período após a
independência, a educação foi tida como uma das áreas de maior investimento
público.
O Estado
procura um futuro melhor na educação da sua população que pouco menos de 50% é
analfabetos. O
analfabetismo generalizado em populações adultas, além de dificultar a sua
efetiva inclusão e participação social, constitui um grande obstáculo para que
os seus filhos disponham de um ambiente familiar motivador e incentivador da
aprendizagem escolar.
Atualmente, a exclusão de uma boa
parte das pessoas do ensino também esta, associada ao rápido crescimento do
número de alunos, que não esta sendo acompanhado pela formação dos professore,
nem de infra-estruturais escolares adequada para responder a demanda das novas
formas de educação[1]. Assim como,
só para elucidar em Moçambique existe um número menor de escolas do
ensino técnico industrial e comercial, instituições de formação de professores
básicos, médio e universitário, etc.
Mas o grosso das necessidades do
sistema da educação está no ensino primário e
secundário. Em 2005, existiam 8.696 escolas do EP1, e 1.320 escolas do EP2
em todo o país[2]. E o ensino secundário
este mesmo ano, tinha um total de 156 escolas de ESG1 e 35 escolas de ESG2[3].
No Ensino Secundário 90% das
escolas do 2º ciclo possuem salas de informática fornecidas Pelo Ministério da
Educação (MINED) e o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), com apoio de
outros parceiros. Esta iniciativa teve como a sua alavanca, os projetos: SchoolNetMozambique
que arrancou inicialmente com o nome “Internet para Escolas”
(1998, 2002), tendo uma abrangência de 25 escolas, incluindo escolas
secundárias, Instituto do Magistério Primário (IMAP), institutos médios e
escolas técnicas[4].
Outro projeto inserido no
projeto SchoolNetMozambique
foi a “NEPAD
eSchoolsMz” coordenado pela CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa). A Nova Parceria
para o Desenvolvimento de África ou New Partnership for
Africa's Development (NEPAD) [5]e o projeto Mozambique
Researchand Education Network (MoRENet) uma das iniciativas do Ministério
de Ciência e Tecnologia (MCT) estabeleceu uma rede de dados nacional que
interligar as diversas instituições de investigação, pesquisa e ensino
moçambicano.
Neste projeto, algumas escolas foram
equipadas com um laboratório informático constituído por 20 computadores, um servidor,
uma impressora e um laboratório de media.
Porém, os institutos de formação de
professores (IFP) passaram a promovem a utilização das TIC, incentivando os
seus alunos (os professores do futuro) a utilizarem as suas potencialidades.
Assim sendo, todos os IFP passaram a possuir salas de informática, com uma
média de 12 computadores por sala, e 60% dispõe de ligação à Internet. No
quadro da reforma curricular e das iniciativas em curso, a formação de
professores surge como uma prioridade para o progresso da integração das TIC
nas práticas escolares, sendo que para o caso de Moçambique, foi adotada a
metodologia de formação intensiva (15 dias), (MEC, 2005).
Estes processos o seu perigo esta no
acompanhamento, que no máximo, esta a cargo de um curso técnico instrumental de
operação dos computadores para o uso das novas tecnologias de informação e comunicação.
Assim, a sua eficácia é realizada durante o exercício das funções, uma vez que
a maioria dos cursos de formação tem poucos tempo de aprendizagem, devido ao
elevado número de aprendizados e um escassos meios. Estas dificuldades remetem
a uma integração deficitária no ambientes, desenvolvido pelo software trazido de
fora, o que faz o nosso ensino se torna mero consumidor e vitimas da subalterno
do mundo tecnológico[6].
Para Benkler (2003), estes espaços de
subalterno no mundo tecnológico, muitas das vezes são imposto como precondições
necessárias para o funcionamento do mercado. O autor reflete algumas
ideias pontuais do mundo e patente na sociedade Moçambicana. O Projeto Rede
Eletrônica do Governo (GovNet), financiado pelo Banco Mundial, através de um
crédito no valor de 31 milhões de dólares norte-americanos, entre Janeiro de
2010 a Fevereiro de 2015[7]. Exigiu que a
vigência fosse estendida até Junho de 2016, para garantir a conclusão das
atividades pendentes.
No primeiro plano, o objetivo era melhorar
a capacidade das instituições nacionais de desenvolver, programar e monitorar
políticas, estratégias, legislação e regulamentação na área das TIC's. Visava,
igualmente, garantir a segurança e a privacidade nas transações eletrônica,
para além da introdução de novos operadores no setor das Telecomunicações[8].
Foram também contratadas empresas
nacionais e internacionais para apoiar as instituições do Governo e outros
parceiros no campo, disponibilizando Internet de melhor qualidade. Houve apoios
para a instalação da Rede de Ensino Superior e de Pesquisa de Moçambique
(MoRENet). A iniciativa permitiu também o acesso dos utilizadores
“estratégicos” aos recursos da Internet, salientando-se a interligação de 20
escolas e 13 hospitais em todo o país. A componente eletrônica da governação
visava contribuir para a melhoria da eficiência e eficácia na prestação dos
serviços públicos, além de financiar a compra de vários equipamentos de
tecnologias de informação e equipamentos de telecomunicações (in: Jornal
Notícias, 15.03.2016).
Através deste projeto podemos
avaliar o grau de intervenção dos grupos hegemônicos na tecnologia do Governo e
nos Cidadão moçambicanos. Como é o caso; da direção da Corporação para a
Atribuição de Nomes e Números da Internet (ICANN), que apesar de propor
um novo modelo de gestão da internet, para por fim a supervisão direta do
Governo dos EUA. Uma substituição feita por um modelo de supervisão global com
a intervenção de vários atores (genericamente designado por modelo
“multi-stakeholder”) [9]. Esta proposta
foi feita por voluntárias que representam vários interesses das comunidades de
vários setores da internet.
Assim sendo, são os agentes que
pagam dinheiro que dominam o conjunto de regras e recursos estabelecido na
relação de troca. A Microsoft, por exemplo; desembolsam ao governo de
Moçambique em 2016, um montante equivalente á 160 mil USD. Este dinheiro
segundo o responsável pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior
e Técnico Profissional (MCTESTP), este foi para as áreas de agricultura,
energia, infraestrutura e turismo. Neste processo segundo reza o compromisso a
Microsoft vai, também trabalhar com o governo em programas de formação
específicos de capacitação de recursos humanos na utilização de produtos e
soluções da Microsoft[10].
Esta pratica nas relações política
entre Moçambique e grandes multinacionais podem continua sendo um problema, em
que o governo sede o mercado para os seus parceiros que constroem
infraestruturas básicas. Atualmente, empresa chinesa vem competindo com o norte
americano neste jogo dos espaços livres, restrições partindo do direito de
propriedade. A gigante de tecnologias chinesa Huawei concedeu 100 mil USD
para escola profissional para apoiar na construção da Escola
Profissional de Muanza, em Sofala.
Jorge
Nhambiu, Ministro da Ciência e Tecnologia, Ensino Superior e Técnico Profissional
(MCTESTP) e o Su Jian embaixador chinês acreditado em Moçambique.
Assim sendo, foram acordado que chinesa
continuará a implantar tecnologias inovadoras e construção de infra -
estruturas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC’s) no país,
partilhando a sua experiência e formando técnicos moçambicanos para que
melhorem as suas habilidades [11].
Esta situação poderá ajudar a
integração da maioria dos jovens na ordem dos 30 por cento, pois os formados
estarão devidamente capacitados para responder às exigências dos empregadores.
Mas o problema continua sendo, não observado cautelosamente, a pouco
conhecimento do acesso a computadores e internet, o que se agrava para
aquisição e o uso dos software livre. A preocupação atual
do governo é softwares econômicos, já em 2010 o governo e seus parceiros
iniciaram o projeto “One Laptop per Child”, equipando algumas crianças de um
computador de baixo custo, consumos e resistentes[12]. Além das
especificações de hardware,
foi também desenvolvido um software para uma aprendizagem colaborativa,
dinâmica e autônoma.
Entretanto, o custo de produção de um
software sem do ínfimo comparado com o lucro obtido pela comercialização da
licença de uso. Poderíamos pensar em reproduzir e copiar os softwares sem custos
extras de produção. Ou seja, implica construir uma nova cultura, socialmente
mais justa, mais solidária, que oportunize articulação entre as redes de
produção e socialização do conhecimento (BONILLA, 2014).
Bibliografia:
BENKLER, Y. A economia política dos commons.
In: SILVEIRA, S (Org.). A comunicação digital e a construção dos commons: redes
virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regulação. São Paulo:
Perseu Abramo, 2007.
BONILLA, Maria Helena. Software Livre e Educação:
uma relação em construção. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 32, n. 1,
205-234, jan./abr. 2014.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MINED). Plano curricular
do ensino básico. Maputo: INDE, 2003.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MINED). Plano
curricular do ensino secundário geral. Maputo: INDE, 2007.
MOÇAMBIQUE, R. Lei nº 6, de 1992. Altera o
Sistema Nacional da Educação, reajustando as disposições nela contidas. Imprensa
Nacional, Maputo, 06 maio 1992.
[1] Atualmente, apesar do governo estando
preocupado em fazer acordos com empresas digitais internacionais como: Google e Microsoft,
para reforçar área do ensino. O campo da formação dos professores e pesquisa
ainda pode ser importante refletir criticamente sobre esses processos e
fornecer mais elementos que possam influenciar e contribuir para melhorias na
educação dos moçambicanos, que na sua maioria é jovem e pobre sem capacidade
para ter acesso as tecnologias (INDE/MINED, 2003).
[2] O ensino primário subdivide-se
em: Ensino primário do primeiro grau (EP1), que inclui classes da 1ª–5ª, e o
ensino primário do segundo grau (EP2), cobrindo as 6as e 7as classes. Embora
seja obrigatória e gratuita, a realidade, um milhão de crianças com idade
escolar primária continua a não frequentar a escola (MEC, 2005).
[3] o
ensino secundário
compreende cinco classes em dois ciclos: o primeiro ciclo do ensino secundário
(ESG1: da 8ª a 10 ª classe) e o segundo, ciclo pré - universitário do ensino
secundário (ESG2: 11ª e 12 ª) (MEC, 2005).
[4] O
objetivo era introduzir a formação em nível de informática, explorar a
integração das TIC no processo de ensino/aprendizagem, encorajar as escolas a
tornarem-se centros de partilha de informação e comunicação, providenciar
oportunidades de formação e promover o uso e acesso da Internet como meio de
partilha de informação. Em 2002 o projeto passou para a alçada do Ministério da
Educação, passando a denominar-se SchoolNet
Moçambique (INDE/MINED, 2003).
[5] Objetivos
era desenvolver competências no âmbito das TIC nos jovens africanos nas escolas
primárias e secundárias e melhorar a distribuição da Educação através de
aplicações informáticas e uso da Internet (INDE/MINED, 2003).
[6] Bonilla, 2014.
[7] A primeira fase decorreu entre 2004-2005 e
consistiu na aplicabilidade da plataforma comum de comunicação do Governo e
interoperabilidade, a segunda entre 2007-2009, que serviu para consolidar a
anterior e alargar o conceito a todo o universo da administração pública,
central e local. A terceira, baseada nos distritos, arrancou em 2010 com
previsão para terminar em 2014, mas por se achar pertinente foi sendo
prorrogado sucessivamente(in: Jornal Notícias, 15.03.2016).
[8] No
campo da conectividade houve aumento do acesso e da capacidade de largura da
banda para as instituições públicas e para as zonas rurais. Durante o programa
foram estabelecidos mais 25 centros multimídia comunitários (CMCs) em todo o
país (in: Jornal Notícias, 15.03.2016).
[9] (in:Jornal
MediaFAX, 22.08.2016).[10] Jornal Notícias, 15.03.2016.
[11] Jornal Notícias, 15.03.2016.
[12] O
projeto distribuiu cerca de 3000 computadores programados para o ensino
primário que foi destinado a 3 escolas do país (uma da zona sul, uma da zona
centro e uma da zona norte) pela 3ª, 4ª e 5ª classe.
Preocupante o quadro que você descreve. As grandes empresas chegam e impõem seus modelos, em todas as áreas e, mais uma sociedade fica refém de seus produtos e serviços, pagando um preço exorbitante por eles... o que cria, mais uma vez, o gap digital entre os que podem e os que não podem pagar pelos produtos...
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