DUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM MOÇABIQUE: “a cultura digital no ensino”




Estudar a “cultura digital” no ensino Moçambicano refletirá nas transformações do ensino com base na introdução das novas “tecnologias digitais”. Considerando que a escola atual está centrada na racionalidade própria da escrita, memorizar a incorporação das novas formas de organização, de pensamento e de construção do conhecimento emergentes das tecnologias da informação e comunicação na educação. E uma preocupação cada vez mais  crescente com a disseminação da “cultura digital” nas escolas e universidades. Assim podendo ver como acesso a computadores e o ensino da informática esta sendo uma contribuição para “a cultura digital”. Apesar do país ter como problemas de escassez das tecnologias, o governo e os seus parceiros têm reforçado na “cultura digital”, o que nos remete a uma maior  compreensão das políticas pedagógicas públicas e privadas para uma melhoria na rede educativa.

A “cultura digital” no ensino Moçambicano, marcado por um país jovem da democracia popular, que luta desde a conquista da independência nacional em 1975, por uma maior inclusão na educação. Ainda que muito tímidas a “cultura digital” pelas dificuldades de muitas escolas em possuir, computadores ou salas de informática, internet e outras fermentas necessária para a inclusão digital dos alunos, nas práticas pedagógicas voltadas ao meio digital. Em alternativa as dificuldades, Moçambique não fica de fora do processo digital, assim,  o desejo de se experimentarem novos referenciais para a “cultura digital”, antes de mais, são conhecidas e divulgadas em todas as fases da educação oficial.

 Entretanto, o ensino primário que é subdividido em dois graus: Ensino primário do primeiro grau (EP1), que inclui classes da 1ª–5ª, e o ensino primário do segundo grau (EP2), cobrindo as 6 e as 7 classes (DFID, 2007).  Foi um dos pioneiros dos investimentos nas TIC, que tiveram inicio no país em 2005, com o programa One Laptop Per Child com 3.000 computadores portáteis para o ensino primário[1]. O programa foi iniciado em Maputo Província com 2 escolas, estando previsto o seu alargamento a mais 8 escolas no norte e centro do país.

 O ensino secundário que tem um recorte importante na pesquisa compreende cinco classes em dois ciclos: o Ensino Secundário Geral do Primeiro Ciclo (ESG1: da 8ª a 10 ª classe) e o ensino pré-universitário, denominado Ensino Secundário Geral do Segundo Ciclo (ESG2: 11ª e 12 ª). Em 2005, o Ministério da Educação e Cultura de Moçambique (MEC), fez uma estimativa que Moçambique tinha um total de 156 escolas de ESG1 e 35 escolas de ESG2. No Ensino Secundário 90% das escolas do 2º ciclo possuem salas de informática fornecidas Pelo Ministério da Educação (MINED) ou Ministério da Educação e Cultura (MEC), Instituto Nacional de Desenvolvimento da Educação (INDE), Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) e outros parceiros, entre as quais se destacam os projetos:

 SchoolNetMozambique que arrancou inicialmente com o nome “Internet para Escolas” (1998, 2002), tendo uma abrangência de 25 escolas, incluindo escolas secundárias, Instituto do Magistério Primário (IMAP), institutos médios e escolas técnicas. O objetivo era introduzir a formação em nível de informática, explorar a integração das TIC no processo de ensino/aprendizagem, encorajar as escolas a tornarem-se centros de partilha de informação e comunicação, providenciar oportunidades de formação e promover o uso e acesso da Internet como meio de partilha de informação. Em 2002 o projeto passou para a alçada do Ministério da Educação, passando a denominar-se SchoolNet Moçambique.

Outro projeto desenvolvido pelo Ministério da Educação de Moçambique e parceiros para elevação das competências dos alunos Moçambicanos no âmbito das TIC, foi:

  “NEPAD eSchoolsMz”. A Nova Parceria para o Desenvolvimento de África ou New Partnership for Africa's Development (NEPAD) desenvolveu uma iniciativa denominada eSchools que tem como objetivos desenvolver competências no âmbito das TIC nos jovens africanos nas escolas primárias e secundárias e melhorar a distribuição da Educação através de aplicações informáticas e uso da Internet. Em Moçambique o projeto foi coordenado pela CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), estando inserido no projeto SchoolNetMozambique. Algumas escolas foram equipadas com um laboratório informático constituído por 20 computadores, um servidor, uma impressora e um laboratório de media. Aos professores foi ministrada formação para a utilização dos computadores em sala de aula[2].

Também se desenvolveu o projeto um computador por aluno “One Laptop per Child”, em parceria o Ministério da Educação, o projeto iniciou  em 2010, como objetivo de equipar todas as crianças de um computador de baixo custo, com baixos consumos energéticos e resistentes. Além das especificações de hardware, foi também desenvolvido um software para uma aprendizagem colaborativa, dinâmica e autônoma. Foram distribuídos 3000 computadores programados para o ensino primário que foi destinado a 3 escolas do país (uma da zona sul, uma da zona centro e uma da zona norte) pela 3ª, 4ª e 5ª classe.

Entretanto, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) no âmbito das TIC desenvolveu o projeto Mozambique Researchand Education Network (MoRENet) uma das iniciativas com vista a estabelecer uma rede de dados nacional que vai interligar as diversas instituições de investigação, pesquisa e ensino superior em Moçambique. Mesmo com estes projetos, o acesso a computadores e internet continua sendo um problema para o sistema educacional moçambicano, onde o governo tem recorrido a parcerias e projetos com governos e instituições estrangeiras para implantação de melhorias do sistema educacional do país. 

Estando atualmente o governo moçambicano procura fazer acordos com empresas digitais internacionais, para reforçar área do ensino. Tomar a “cultura digital” como campo de pesquisa pode ser também uma maneira importante de refletir criticamente sobre esses processos e fornecer mais elementos que possam influenciar e contribuir para melhorias na educação dos moçambicanos, que na sua maioria é jovem e pobre sem capacidade para ter acesso à “cultura digital”.

De 4 a 6 de Maio de 2016 realizaou-se a primeira edição do TEC-INOV, um evento criado por alunos finalistas do curso de Sistemas e Tecnologias de Informação da Universidade de São Tomé e Príncipe, no espírito de promover as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação em São Tomé e Príncipe.
O TEC-INOV visa divulgar projetos inovadores desenvolvidos pelos estudantes que, desta forma, procuram uma oportunidade de fazer chegar as suas ideias inovadoras a pessoas que as possam financiar.
O tema deste ano é “USTP Centro de Oportunidade e Inovação”. A organização espera chamar a atenção de empresas e pessoas para os alunos da Universidade que, mesmo com as dificuldades que enfrentam no dia-a-dia, têm desenvolvido projetos inovadores e que merecem uma “oportunidade”. A oportunidade de mostrar o que podem e o quanto podem.
São novos talentos que estão a emergir na área das novas tecnologias em São Tomé e Príncipe. Talentos que foram descobertos num curso que foi extinto pela Universidade, numa altura em que o país está claramente a apostar nas novas tecnologias.




Referencias

BONILLA, Maria Helena; PRETTO, Nelson. Política educativa e cultura digital: entre práticas escolares e práticas sociais. Revista Perspectiva, Florianópolis, v. 33, n. 2, p. 499 - 521, maio/ago. 2015


[1] Em 2005, existiam 8.696 escolas do EP1, e 1.320 escolas do EP2 em todo o país (MEC, 2005).
[2]Os institutos de formação de professores (IFP) promovem a utilização das TIC, incentivando os seus alunos (os professores do futuro) a utilizarem as suas potencialidades. Todos os IFP possuem salas de informática, com uma média de 12 computadores por sala, e 60% dispõe de ligação à Internet. Consideramos que, no quadro da reforma curricular e das iniciativas em curso, a formação de professores surge como uma prioridade para o progresso da integração das TIC nas práticas escolares, sendo que para o caso de Moçambique, foi adotada a metodologia de formação intensiva (15 dias). (MEC, 2005).

Comentários

  1. Tomé, já não dizemos mais "novas tecnologias". As atuais tecnologias já não são mais "novas". Basta dizer tecnologias digitais ou tecnologias da informação e comunicação.
    Quando você diz que a maioria dos moçambicanos "é jovem e pobre sem capacidade para ter acesso à “cultura digital”" você quer dizer que eles não têm condições financeiras para o acesso? Não ter capacidade é outra coisa.
    Também, quando trouxer texto de outras fontes, precisa colocar entre aspas e colocar as referências

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