A luta por uma aprendizagem virtual em condições carentes de tecnologias




O desenvolvimento tecnológico esta possibilitando novas formas de aprendizagem aonde a pedagogia vai caminhando juntamente com a tecnologia, o que vem proporcionando a circulação mais fluida e complexa do conhecimento humano. O benefício da TIC na vida do cidadão vão muito além de habilidade de manipulação das ferramentas inclui benefícios econômicos, melhoramento da qualidade de vida e bem-estar dos cidadãos, aquisição de novos conhecimentos e integração na rede mundial de troca de informação de experiências diversas. E de forma transversal, os benefícios se estendem para a expansão da liberdade do indivíduo, sobretudo de expressão e de livre comunicação[1].

As tecnologias de informação e comunicação poder ser aparentemente confiáveis para a mudança no paradigma da educação.  Essa ênfase relacionada à Inteligência Coletiva e seu aspecto participativo, socializante, emancipado, [2]  o que não tem tido um grande impacto em Moçambique devido à fraca ação continua do uso das tecnologias de comunicação e informação. Uma longa caminhada a se percorrer, tendo em conta a falta de condições técnicas (computadores funcionando, acesso à Internet), em vários substratos da sociedade moçambicana. A cobertura dos serviços de TIC  estar centrada nas capitais provinciais, em que são as mais privilegiadas em termos de acesso ou, telefone e Internet.

A disseminação da TIC em Moçambique esta limitada nas infraestruturas, pela  suas precariedades, aliada à pobreza da maioria da população rural que não tem acesso,  a rede de energia elétrica nem de comunicações por telefone fixo[3]. Apesar da maior parte das pessoas de todos os grupos sociais, verem o valor dos telefones celulares, como um novo meio eficaz de disseminação de informação. A cobertura ainda é baixa com cerca de 34% dos agregados familiares, e 70% de todos os utilizadores estão concentrados dentro de Maputo e nas redondezas[4].

Entretanto, 41.5% da população rural apenas têm a rádio como meio de acesso a informação, este dispositivo desempenhar o papel preponderante nas populações urbanas e rurais, como o principal canal de informação[5]. O baixo nível de alfabetização significa que o acesso à informação é essencialmente oral, destacando a importância da comunicação á nível das comunidades, em especial as transmissões radiofônicas nas línguas locais e comunicação interpessoal.  A Rádio como veículo de comunicação participativa poderia ser aproveitado para proporciona aproximação entre as novas e (velhas!) tecnologias próximo das comunidades, elas poderiam tornar-se agentes importantes da mudança social[6].

Apesar dos esforços de inclusão digital ainda prevalecem muitos constrangimentos no compromisso nacional de expansão da política de TIC, que tem a ver com a falta de uma coordenação interna nos setores do Estado[7]. Num país com déficit tecnológico, onde convivemos com o modelo de pirâmide social, na qual a uma grande exclusão socioeconômica. Enfrentamos um grave constrangimento em nível de utilização da TIC nas escolas públicas, no ensino primário do 1º e 2º grau, em que apresentam uma taxa reduzida de salas de informática, sendo estas duas primeiras fases fundamentais para familiarizar as crianças com o computador[8].

Tabela nº3: Escolas com facilidades a TIC em Moçambique

Tipo de escola

Nº total de escolas públicas
% escolas com salas de
Informática
Ensino geral
Primário 1º nível
8700
0,02
Ensino Geral
 Primário 2º nível
1320
1.1
Ensino Geral
Secundário 1º Ciclo
156
9.6
Ensino Geral
Secundário 2º Ciclo
35
91.4
Fonte: MCT, Indicador de Ciência e Tecnologia, 2009

A adequação do sistema educacional às novas condições socioeconômicas face à globalização é expressão das políticas educacionais desenhadas para o processo e aprendizagem não são adequadas, como ilustra a tabela de  numero de computadores nas escolas públicas, abaixo:

Tabela nº 4: Computadores nas escolas públicas

Províncias
Nº computadores
Maputo
137
Maputo cidade
342
Gaza
74
Inhambane
111
Manica
61
Sofala
115
Tete
100
Zambézia
96
Nampula
113
Niassa
63
Cabo delgado
103
Total
1315
Fonte: MCT, Indicador de Ciência e Tecnologia, 2009

As novas tecnologias de comunicação e informação como elementos estruturantes desse novo pensar e viver, pode ser um fracasso, se introduzirmos como ferramentas, apenas auxiliares do processo educacional, de um processo “caduco”, que continua sendo imposto ao cotidiano das pessoas que vivem outro movimento histórico (PRETTO, 2002). 
  Os desafios do nosso tempo e a substituição  do caráter construtivo da educação nas relações humanas, limitada "a bagagem de conhecimentos" construído nos bancos das instituições de ensino, etc[9]. Para uma educação abrangente e alternativa a partir do Ensino a Distância,  que no caso de Moçambique vem suprindo alguns problemas de acesso à educação oficial, o que seria uma lastima sem o uso das TIC [10].

REFERÊNCIA
TEIXEIRA, E. C . A. Educação e novas tecnologias: o papel do professor diante desse cenário de inovações. Webartigos, [S.l.], 24 jul. 2010. Disponível em: <http://www. webartigos.com/articles/43328/1/EDUCACAO-E-NOVAS-TECNOLOGIAS-OPAPEL-DO-PROFESSOR-DIANTE-DESSE-CENARIO-DE-INOVACOES/pagina1.html>.
PNUD,  ISRI, INE, SARDC, Moçambique. 2007.  Relatório Nacional Do Desenvolvimento Humano “Desafios e oportunidades: A Reposta ao HIV  e Sida”, Maputo.
PRETT O, N. L. Uma escola sem/com futuro: educação e multimídia. C ampinas: Papirus,1996.
PRETTO, Nelson De Luca; RICCIO, Nicia Cristina, PEREIRA, Socorro Cabral. Reflexões teórico metodológicas sobre ambientes virtuais de aprendizagem. In: 18 Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste - EPENN, 2007, Maceio/Al. Anais... - EPENN. Maceio/Al: UFAL, 2007.
HAGUENAUER, Cristina; LIMA, Luciana Guimarães; FILHO, Francisco Cordeiro. Comunicação e interação em ambientes virtuais de aprendizagem. In: 16 Congresso Internacional de Educação a Distância, 2010, Foz do Iguaçú/PR. Anais... - CIAED. Foz do Iguaçú/PR, 2010
McAnally Salas, Lewis; Organista Sandoval, Javier. La educación en línea y la capacidad de innovación y cambio de las instituciones de educación. Apertura, v.7, n. 7, p. 82-94, nov. 2007UNITED NATIONS EDUCATIONAL, SCIENTIFIC AND C ULTURAL ORGANIZATION (UNESCO). UNESCO’s ICT competency standards for teachers. Towards ICT skills for teachers. 2008. Disponível em: <http://www.eduteka.org/pdfdir/ UNESCOEstandaresDocentes.pdf>.
JOANGUETA, Celestino (15-12-2011). POLÍTICA PÚBLICA MOÇAMBICANA SOBRE A
INCLUSÃO DIGITAL. REDMARKA - CIECID - Unidad de Investigación en Marketing Aplicado-Universidad de A Coruña  Año IV, Número 7, V3, pp.61-82
 GONÇALVES, A. O direito à educação básica e a omissão do Estado Moçambicano. 2008.  Disponível em http://port.pravda.ru/cplp/mocambique/27-11-2008/25435-direitoeducestmoz-1/.
Relatório Nacional do Desenvolvimento Humano. 2008. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Maputo
 


[1] Joanguete, 2011.
[2] Pretto, 2002.
[3] De acordo com Joanguete (2011),  grande sucesso das TIC tem sido os telefones celulares. Até 2008, segundo o estudo da SangoNet em 2009, havia mais de quatro milhões de assinantes de telefonia móvel no país, o equivalente a 21% da população moçambicana e o seu número foi crescendo cerca de 50% ao ano.
[4] Joanguete, 2011
[5] Segundo o Instituto Nacional de Estatística-INE, em 2011constatou que apenas 50% dos agregados familiares possuem um aparelho de rádio (57% nas zonas urbanas e 47% nas zonas rurais), fato que indica uma ligeira redução de 53% a nível nacional
[6] como uma possibilidade única de superar as falácias dos sistemas tradicionais de ensino – as conhecidas Pedagogias da Assimilação partindo para compreendermos a educação enquanto processo que se constrói-se a partir da diferença (PRETTO, 2000).
A Rádio Moçambique  e o principal canal de rádio estatal, que transmite em português e nas línguas locais, mas, existem também cerca de 90 rádios comunitárias que transmitem inteiramente nas línguas locais e abrangem cerca de metade dos 141 distritos.
[7] Segundo Joanguete (2011),  maior parte da população rural não tem acesso a recursos tecnológicos, como a televisão, celular e o computador. O reduzido número de televisões nas populações rurais deve-se a dois fatores: são caras e precisam de energia que não é disponível nas áreas rurais
[8] Joanguete, 2011
[9] Este é o primeiro desafio que a pedagogia deve enfrentar, ao sair do dos bancos das instituições de ensino, e do seu modelo tradicional para alcançar os programas de software que são cada vez mais rápido e acessível para muitos (BAUMAN, 2001). 
[10] Pretto, 2002.

Comentários

  1. Oi Tomé, tente encontrar dados mais atuais para que possamos analisar como o acesso tem progredido ao longo dos anos em Moçambique. Os dados são alarmantes, mas são de 2009. Muita coisa pode ter acontecido de lá para cá...

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  2. Muito obrigado professora, vou atualizar os dados

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