UMA REFLEXÃO: Introdutória da Modernidade líquida de Zygmut Bauman
Sempre
haverá um caçador de fortuna
incapaz
de resistir a tal promessa
BAUMAN, 2001.
Zygmunt Bauman, vem uma
modernidade individualista centralizada na busca da importância da razão
moderna, onde os aspecto notáveis são movimentos, dinâmicos e instáveis da
sociedade. Bauman, prioriza o fato de que a estrutura sistêmica seja remota e
inalcançável, aliado ao estado fluido e estruturado do cenário imediato da
político-ideológica, muda a condição de um modo radical e requer que repensemos
os velhos conceitos que costumavam cercar as narrativas.
A questão prática
consiste em saber se sua ressurreição, ainda que em nova forma ou encarnação, é
possível; ou - se não for - como fazer com que eles tenham um enterro decente e
eficaz. Foram selecionados para exame cinco dos conceitos básicos: a
emancipação, a individualidade, o tempo/espaço, o trabalho e a comunidade.
Segundo Bauman (2001), a
modernidade começa quando o espaço e o tempo são separados da prática da vida e
entre si, e assim podem ser teorizados como categorias distintas e mutuamente
independentes da estratégia e da ação. Entretanto, o tempo adquire história uma
vez que a velocidade do movimento através do espaço se torna uma questão do
engenho, da imaginação e da capacidade humanas.
A própria ideia de
velocidade (e mais ainda a de aceleração), quando se refere à relação entre
tempo e espaço, supõe que os pedagógicos tenham umas novas formas de conceber a
educação, não apena como, se limitando"a bagagem de conhecimentos"
construída nos bancos da escola, na universidade, etc. Este é o primeiro
desafio que a pedagogia deve enfrentar, ao sair do dos bancos das instituições
de ensino, e do seu modelo tradicional para alcançar os programas de software
que são cada vez mais rápido e acessível para muitos.
No mundo mutável da modernidade
líquida, a aprendizagem e a pedagogia andam lado a lado com a tecnologia, isto
para assessorar a memória, que esta cada vez precisando de um potencial recurso
que o ajude a armazenar todas as informações dentro de recipientes mantidos a
uma devida distância dos cérebros. Surpreendente pensar até que ponto a
rápida e espetacular carreira das redes eletrônicas tem a ver com os problemas
de memorização?. Isso é óbvio. O que é menos evidente, se bem que não menos
importante dentro de uma rápida capacidade de aprendizagem, é todavia a
capacidade de esquecer instantaneamente o que se aprendeu antes.
O ritual agressivo,
repetitivo ou repentino da estratégia da educação se encontra
estreitamente ligado o tipo de mundo para o qual a escola deve preparar os
jovens tendo em conta a situação fora da escola. No mundo de hoje, se espera
que os seres humanos busquem soluções privadas para os problemas derivados da
sociedade. Assim sendo, na fase "líquida" da modernidade, a dominação
pode ser obtida e garantida com um dispêndio de energia, tempo e dinheiro muito
menor: com a ameaça do descompromisso, ou da recusa do compromisso.
Nesta fase da
modernidade, quem quiser obter sucesso na organização, deve demonstrar jovialidade
e capacidade comunicativa, abertura e curiosidade, pondo à venda a própria
pessoa, no seu todo, como valor único e insubstituível para aumentar a
qualidade da equipe. O papel dos profissionais da educação de hoje diante dos
novos desafios postos pela modernidade líquida. Esta expressa em duas maneiras
de pensar, a primeira é aceitar o modelo da educação vigente e tornar-se parte
dele até o ponto de deixar de percebê-lo. A segunda é tentar saber reconhecer
quem e o que, no modelo não é mão, e preservá-lo, e abrir espaço[1].
Estes fatores refletem o
contexto social no qual estão obrigados a trabalhar atualmente os educadores,
em favor de um processo formativo aberto. Os protagonistas inteligentes da
educação, portanto, aprendem no ar. Assim, devem ser inicialmente dotados
da capacidade de aprender e de aprender de modo rápido. Devem ser capazes de
"mudar de ideia", ou de revogar as "decisões" precedentes,
sem pensar duas vezes e sem remorsos.
Não deveriam se preocupar
com as informações adquiridas e por nenhuma razão deveria desenvolver um hábito
comportamental sugerido pelas informações. Todas as informações obtidas
"envelhecem" rapidamente e ao invés de fornecerem um guia confiável
podem desviar do caminho se não forem prontamente ignoradas. Aquilo que os
nossos"cérebros" não devem nunca esquecer é que o conhecimento
adquirido é eminentemente eliminável, somente eficaz até uma nova ordem e útil
apenas temporariamente. A demonstração do sucesso está em não deixar escapar o
momento em que o conhecimento adquirido não é mais útil e deve ser eliminado,
esquecido e substituído.
A educação e a
aprendizagem no ambiente líquido-moderno, para ser úteis, devem ser contínuas
durante toda a vida. As reais possibilidades de desenvolvimento da perspectiva
são a necessidade do conhecimento ser constantemente renovado e também as
profissões necessitam de mudanças. Esta possibilidade remete a uma observação
cuidadosa com a comercialização da educação com meio de aumento da
carreira, pode trazer consigo as diferenças sociais e econômicas entre a elite
de trabalhadores, as diferenças tendem a se perpetuar e se retroalimentarem.
A uma suspeita de que a
educação permanente administrada pelo mercado não forneceria aquilo que
realmente serve à "economia" e pode, portanto, incidir
desfavoravelmente sobre a eficiência e a competitividade. A preocupação é
pelo fato de que o advento da "sociedade do conhecimento" seja
presságio de enormes riscos para seus potenciais utilizadores; essa
"ameaça de ser a causa de diferenças e exclusões sociais ainda maiores.
Mas a necessidade
de expandir a educação/aprendizagem permanente é discutida, em termos de
"vantagem competitiva" que "depende cada vez mais de
investimento em capital humano" e do conhecimento e das competências,
tornando-se "um potente motor para o crescimento econômico". Mas a
importância e a necessidade de uma aprendizagem permanente consistem em seu
papel de "promoção de uma força de trabalho qualificada, formada e
adaptável".
Uma mudança educacional
está cada vez mais ligada ao discurso da eficiência, da competitividade, do
custo/eficácia e da "responsabilidade", sendo sua meta declarada
comunicar à "força de trabalho" as virtudes da flexibilidade, da
mobilidade e "as competências de base associadas ao emprego". As
inquietações dos pedagogos quanto comercialização da educação, diálogo do mundo
da formação com o mundo do trabalho e com as dinâmicas econômicas, emergem em
todos os âmbitos da pesquisa acadêmica.
Essas inquietações se
referem à questão da necessidade de mudança da abordagem educativa diante da
liquefação dos modelos de referência, e também ao problema da
"individualização" da questão pedagógica, fenômeno que ganha sempre
maior terreno. Em que sentido e como é possível que a educação se reduza a ser
quase exclusivamente "formação para o trabalho"?
As inquietações têm
fundamento. É simples traçar as abordagens utilizadas. Estes seguem a
racionalidade segundo o qual o objetivo da educação é o de "desenvolver
trabalhadores, ou seja, aumentar sua cota atual de trabalho e prepará-los para
as tarefas que poderão desenvolver no futuro." Esse desenvolvimento
deve sempre ser determinado pela "individualização das competências
necessárias e pela gestão ativa do aprendizado do trabalhador para um futuro em
longo prazo, em relação com estratégias empresariais explícitas".Com regularidade
igualmente monótona os gerentes dos "recursos humanos" não conseguiam
antecipar quais seriam as "exigências" do "mercado de
trabalho" no momento em que a "força de trabalho" tivesse
completado a formação e estivesse presumivelmente pronta para o emprego.
Provavelmente, tudo isso
ocorre também porque os programas de "educação permanente" tendem a
ser remanejados, imperceptivelmente e sem explicações explícitas, exaltando-se
a "aprendizagem permanente". Isso se torna, portanto um
"auxílio" às responsabilidades associadas à seleção e à aquisição das
competências e, em particular, associadas às consequências das escolhas erradas
por aqueles que são parte receptora dos "mercados de trabalho",
notoriamente fluidos e mutáveis.
Deixe-me acrescentar
ainda que a ênfase mutável, que se desloca da categoria da "educação"
para a de '"aprendizagem", está em harmonia com outra tendência,
comum entre os empresários contemporâneos: a inclinação a descarregar sobre as
costas dos trabalhadores todas as suas responsabilidades, mas, sobretudo os
efeitos negativos e, mais geralmente, a responsabilidade do "fracassado
crescimento da mudança".
Dada a contínua
convergência desses dois caminhos tempestuosos que dirigem a era
líquido-moderna, as relações de poder e a estratégia de domínio, as
perspectivas de retomada do percurso controvertido e errático do
desenvolvimento do mercado, bem como aquelas de cálculos mais realistas para os
"recursos humanos". No ambiente líquido-moderno, a "incerteza
produzida" é o instrumento de domínio mais importante quando a política de
precarização.
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